segunda-feira, 28 de julho de 2008

A metade.

Recomeço, mais uma vez, reclamando. Na minha concepção, reclamar é algo intrínseco à personalidade humana, até porque a reclamação representa a inquietação e, até onde meus conhecimentos sobre a humanidade alcançam, a apresentação de cada sociedade contemporânea foi resultado todo um estado de excitação, certo?
Reivindico meu direito de tocar o que tenho vontade, de ter o que faz meu coração bater mais forte, de fazer meu corpo e minha alma tremerem de alegria todos os dias. E peço não por ser mais uma pessoa mimada, peço por todos. Peço inclusive por quem neste momento gasta alguns minutos da própria vida lendo esse texto.
Quem nunca passou por isso, quem nunca teve um coração partido, quem nunca se emocionou em um romance piegas hollywoodiano - por mais pleonástico que isso pareça -, quem nunca teve vontade de se jogar no abismo por alguém e hesitou ao perceber que talvez esse abismo nao tivesse fim ou por achar que esse fim era próximo demais? Qual seria a verdadeira essência da alma humana se não passar por todos os conflitos e emoções possíveis? Reclamo à possibilidade da existência de uma alma gêmea para cada ser humano, sem distinção de raça, cor, opção sexual. Protesto a covardia, a hipocrisia, o medo de exposição, o orgulho, o receio.
Peço a impulsividade, a falta de controle, o amor desmedido, a loucura. Afinal, o que seria de Romeu sem Julieta, Dirceu sem Marília, Tristão sem Isolda?
Por fim, termino afirmando que faço parte dos covardes e, provavelmente - me perdoe pelas seguintes palavras - você também faz. Pois embora tenha explanado o motivo de minhas reivindicações, infelizmente acredito na pouca capacidade humana de seguir completamente o próprio coração, por isso a incansável procura da pessoa perfeita. Mas afirmo em alto e bom som que não me arrependo de cada possível momento de insanidade, cada palavra de amor exagerada, cada lágrima chorada por alguém e espero, no meu mais íntimo desejo, que você tenha passado pelo mesmo e por muito mais.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

"bla bla bla"

A pergunta que não cala é o que ainda se pode tirar de útil de tudo isso? Eu fico imaginando o que se passa pela cabeça das pessoas e tudo o que consigo escutar é aquele irritante "blá blá blá" e, na verdade, tudo isso me tira até a capacidade de escutar a mim mesma.
Daí eu peço insistentemente para esse barulho todo sair da minha cabeça e penso que se ouvir mais uma vez os conselhos desarranjados e insistentes das pessoas, colocarei todas porta afora!
Sim, eu já pensei na possibilidade de se todos pensassem dessa forma, o mundo seria uma completa bagunça e provavelmente todos morreriam mais cedo de stress. Porém, covenhamos, eu tenho o direito de explodir as vezes, certo? Você talvez pode discordar - se for uma pessoa extremamente calma - e dizer que ninguém tem o direito de explodir ou de falar exatamente aquilo que vem à mente sem se preocupar com o que os outros pensam, mas sinceramente, se você nunca perdeu a paciência um dia em sua vida, forneça a fórmula porque o mundo necessita dessa grande descoberta!
Enfim, é isso. Eu preciso de tempo sem todo esse barulho quer você ache isso egoista da minha parte ou não.

terça-feira, 11 de março de 2008

a alegria do não saber.

"As vezes o que é difícil torna-se simples e o que é simples torna-se difícil". É, eu tava pensando sobre a vida e sobre outras coisas mais quando cheguei a frase inicial. Daí você me pergunta "o que eu tenho a ver com isso?" e eu respondo: nada. Você nao tem absolutamente nada a ver com meus fantasmas e pensamentos desvairados, mas eu precisava escrever e você - até onde consta - precisava se entreter, então aguenta aí dois minutos e lê o que eu tenho a dizer:

Mesmo que a confusão faça parte de todos, eu gostaria de refletir sobre porque o ser humano ter dificuldades em se concentrar no seu objetivo. É difícil saber exatamente o que você quer em algumas situações, mas e quando você sabe e não consegue pôr em prática? Quando todo o mundo parece conspirar contra os seus desejos ou talvez a favor do seu inconsciente? É, porque por mais que você não admita, nem sempre a emoção está de acordo com a razão e aí você entra em um círculo vicioso de se enganar.

Na minha opinião os sentimentos são traidores. Sim, eu acho que você pode ser traido por você mesmo. É simples: junte uma dose de querer com 2 doses de desejar e a mistura está pronta. Se o desejar e o querer coincidirem, muito bem, você provavelmente vai chegar ao seu objetivo. Se os dois forem oponentes, ah, meu amigo, sinto em informar que em 99% dos casos a emoção toma conta de tudo.

Bom, vamos tentar chegar a uma conclusão, ok? Emoção + desejo + razão = mistura imbatível? É isso aí! E então você pensa: "ela passou o texto inteiro falando sobre quando o desejo não coincide com a razão e quer acabar o texto com uma simples adição?! Mas e quando tudo fica oposto?". No dia que você descobrir, por favor, dê um jeito de me encontrar e me conte, pois eu estou tentando descobrir há mais tempo do que você pode imaginar.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Na recepção...

Eu entrei e me dirigi a recepcionista:
- Olá, meu nome é José da Silva.
- Um momento por favor... ... ... Me desculpe, senhor, mas nao existe nenhum José da Silva em nossa lista.
- Tente José S. de Carvalho.
- Ah, sim, o senhor pode sentar e esperar.

Bom, foi aí que minha saga começou. No início eu apenas relaxei. Arranjei um local confortável para sentar, onde o ar condicionado nao batesse diretamente e onde nao precisaria me contorcer para dar passagem a outras pessoas. Achado o lugar perfeito, dei uma olhada no programa exibido pela TV. Uma coisa que sempre me irritou nessas situações é que a TV funciona apenas como algo ilustrativo, pois se ela estiver muito alta, incomoda e se estiver em um volume aceitável, ninguém escuta. Enfim, desisti da TV.

Passei um tempo relutando em pegar aquela revista do mês retrasado que repousava na cadeira ao lado. Mas como todos, acabei cedendo. O famoso que estampava na capa o seu luxuoso casamento já estava solteiro novamente; a moça que dizia ser pura e inocente, estaria estreando em uma revista masculina mês que vem...

É incrível a velocidade com que as coisas mudam. Quando você pensa que nao pode ver mais nada novo, algo sempre acontece e te surpreende. Eu realmente nao consigo entender essa mudança de pensamento tão brusca. É como se hoje eu fosse homofóbico e amanhã estivesse namorando uma pessoa do mesmo sexo. Talvez o mundo esteja bastante acelerado ou eu esteja ficando velho demais. Pode ser que essa onda de globalização faça pessoas como eu parecerem antiquadas, como uma roupa da estação passada que foi destinada a viver no fundo do armário depois de usada por algum tempo - por que até o vestuário parece ter prazo de validade de acordo com as tendências. Acho que ouvi alguém chamando meu nome...
- Senhor José de Carvalho?!
A mocinha da recepção vestida aparentemente de acordo com o que preenchia as vitrines atualmente se dirigia a mim e, por sinal, acho que ela já estava tentando chamar minha atenção por algum tempo devido ao seu rosto de alívio ao me ver levantar e ir em direção a sala do meu médico. Poderia apostar que para ela eu era como aquele aparelho sensação no mês passado: defeituoso e fora de moda.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Iniciando...

Ele estava lá. Sentado. Assistindo a corrida das ruas ao seu redor. Foi quando avistou aquilo. Nao esperava, ficou sem ação e por um instante teve a nítida sensação de que poderia ver toda a própria vida passar diante dos olhos em poucos segundos.
Foi difícil, ele não queria reviver antigos pensamentos. Uns porque nao tinham significado algum, outros porque ainda o machucavam quando lembrados. Coisas que o fizeram sofrer e que simplismente resolveu jogar lá no fundo da mente junto com todas as coisas insignificantes.
Em poucos minutos sentiu-se invadido por uma onda de tristeza sem igual. Percebeu as lágrimas no rosto e nao quis aceitar, teve a certeza de que já era tarde demais para reparar as feridas. Percebeu que ao tentar fugir da infelicidade momentânea, estava apenas adiando o sofrimento. Ele, que achava saber tudo da vida, foi traído pelas recordações.